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30 de novembro de 2017, 13:39h

Conferência no IMPA debate Matemática aplicada a finanças

Problemas inerentes ao mercado financeiro podem até ser muito diferentes entre um país e outro, mas solucioná-los, invariavelmente, passa pela Matemática. Por isso, nos últimos dias, pesquisadores de instituições de excelência mundial se reuniram no IMPA para a conferência internacional, encerrada na noite desta quarta-feira (29), que tratou de assuntos fundamentais no ambiente econômico, como volatilidade de preços de ativos, commodities e taxa de juros.

Realizado desde 2005 pelo IMPA, o Research in Options trouxe ao Rio, nesta edição, cerca de 100 participantes, entre eles, Bruno Dupire, diretor de pesquisa quantitativa da Bloomberg nos Estados Unidos; Marco Avellaneda, do Courant Institute of Mathematical Sciences (EUA); Sebastian Jaimungal, da University of Toronto (Canadá); e Emmanuel Gobet, da Ecole Polytechnique (França). Confira, aqui, os temas dos minicursos, apresentações e papers do evento.

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Organizador do Research in Options, aberto na segunda-feira (27), o pesquisador do IMPA Jorge Zubelli considerou a edição deste ano uma das mais produtivas, pelos debates em torno de análise de dados, negociações algorítmicas e aprendizado de máquina, temas de grande relevância na área de Finanças Quantitativas e Análise de Risco.

“Discutiu-se também o papel dos modelos para estudo da volatilidade em suas diversas formas, principalmente no que diz respeito aos novos instrumentos financeiros que surgiram para a proteção contra oscilações e volatilidade excessiva”, destacou o pesquisador, acrescentando que foram abordados ainda tópicos sobre a modelagem, para entender melhor a dinâmica dos preços de commodities e das taxas de juros.

Em uma das apresentações, sobre taxa negativa de juros, o professor Matheus Grasselli, da McMaster University (Canadá), antecipou um cenário que ainda parece inconcebível, mas não tarda muito o dia em que será realidade: um mundo onde as cédulas serão obsoletas. Ele observou que o Reino Unido já estuda a possibilidade de criar uma moeda digital emitida pelo governo.

Usando um modelo matemático, ele mostrou que fixar a taxa de juros negativa como forma de estimular a economia, como ocorre na Dinamarca, Suécia e Suíça, é eficaz. Entretanto, como em situações assim os bancos podem cobrar para ficar com o dinheiro do correntista, uma das propostas é o emprego do Central Bank Digital Currency, uma moeda eletrônica emitida pelo governo.

“Segurar o dinheiro na poupança ou deixá-lo debaixo do colchão não provoca a recuperação da economia. A alternativa para o dinheiro vivo é o dinheiro eletrônico. Vai ser uma controvérsia porque muitos acham que o dinheiro é uma coisa real, física”, observou.

Aprendizado de máquina

Outro tema diretamente ligado às mudanças tecnológicas na área econômica foi abordado pelo diretor de Pesquisa Quantitativa da Bloomberg, em Nova York, Bruno Dupire. Ele analisou o uso do aprendizado de máquina como estratégia de investimento no mercado financeiro. O termo pode causar estranhamento à primeira vista, mas faz parte do nosso cotidiano, seja no mecanismo de busca do Google, nos filmes que a Netflix sugere e na lista de livros enviada pela Amazon para a nossa caixa de correio.

Na avaliação de Zubelli, o evento confirmou o papel fundamental da Matemática para a compreensão do mercado financeiro e da gestão de riscos. “Esse entendimento requer cada vez mais uma sofisticação da Matemática. Isto coloca o IMPA em uma posição de destaque em todos os níveis, incluindo ensino, pesquisa e inovação”, disse.

Durante sua apresentação sobre modelagem da volatilidade dos preços de ativos em mercados financeiros, no encerramento do Research in Options, Zubelli destacou que, nos últimos dez anos, o Laboratório de Análise e Modelagem Matemática nas Ciências Aplicadas (LAMCA), do IMPA, realizou sete projetos industriais, ministrou minicursos, registrou dois softwares e produziu pesquisa de alto nível por meio de 13 pós-doutorados, 22 mestrados e 5 doutorados.

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