História

 

O IMPA foi a primeira unidade de pesquisa criada pelo então Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), um ano após a constituição, em 1951, desta agência de fomento e pesquisa fundamental para o Brasil. Já surgiu com um caráter nacional e voltado para o estímulo à pesquisa científica em Matemática e à formação de novos pesquisadores, bem como para a difusão e o aprimoramento da cultura matemática no país. Essas atividades, estreitamente relacionadas entre si, visam promover o conhecimento matemático, fundamental para o desenvolvimento das ciências e da tecnologia em geral, algo essencial para o progresso econômico e social da Nação.

Inicialmente, o IMPA ocupou uma sala do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Além de seu diretor, Lélio Gama, faziam parte de seu quadro de pesquisadores Leopoldo Nachbin e Maurício Peixoto, um grupo diminuto, mas ilustre.

Seu prestígio acadêmico se consolidou a partir de 1957, quando iniciou a realização dos Colóquios Brasileiros de Matemática – o evento ocorre a cada dois anos e, dos 50 participantes iniciais, hoje reúne mais de 1.200 matemáticos. Naquele ano, o IMPA mudou para a rua São Clemente, em Botafogo, e Elon Lima e Paulo Ribenboim passaram a integrar o seu grupo de pesquisadores. O foco da instituição era a formação de pesquisadores e docentes – apesar não ter à época um programa formal de pós-graduação –  e o estímulo ao desenvolvimento de outros centros de pesquisa matemática no país. O intercâmbio científico com outros países também era muito incentivado. Desde a sua criação, a sua biblioteca passou a contar com coleções de periódicos de muito bom nível e hoje é considerada excelente em padrões internacionais.

 

 

Em 1957, o IMPA passou a funcionar na rua São Clemente, 265, em Botafogo, onde permaneceu durante dez anos


Em 1962, iniciaram os programas de mestrado e doutorado em Matemática por meio de convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que concedia oficialmente os títulos de mestre e doutor.

Nesta época, os recursos disponíveis eram exíguos, e o IMPA mantinha um número reduzido de pesquisadores, cenário que mudou notavelmente a partir de 1967, quando recebeu grande apoio financeiro do então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). No ano anterior, Lindolpho de Carvalho Dias sucedeu Lélio Gama na direção do IMPA, permanecendo no cargo até 1969, função que ocupou novamente nos períodos de 1971 a 1979 e de 1980 a 1989. Elon Lages Lima foi seu diretor em várias ocasiões: 1969 a 1971; 1979 a 1980; 1989 a 1993. No período de 1993 a 2003, a direção foi exercida por Jacob Palis e, a partir de setembro de 2003, por César Camacho.

 

 

Em 1967, o IMPA mudou para a rua Luís de Camões, 53, prédio histórico no Centro do Rio, atualmente, sede do Centro Cultural Hélio Oiticica

Já em 1968, o IMPA, com apoio do BNDES e, posteriormente, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), além do próprio CNPq, ampliou seus quadros com matemáticos brasileiros em atividade no exterior ou com doutorando nas melhores instituições estrangeiras. A partir de 1970, passou a sediar programas regulares de mestrado e doutorado, com uma grande expansão de suas atividades de pesquisa e formação de pesquisadores. Sem diminuir a importância do papel inicial de seus fundadores, essa nova e fundamental etapa foi resultado do trabalho de novas gerações de matemáticos.

As mudanças institucionais realizadas no CNPq na década de 70 permitiram que o IMPA desse um salto qualitativo e ampliasse suas atividades, pela oportunidade de contratação de um quadro fixo de pesquisadores. Até então, seus pesquisadores eram mantidos por bolsas de estudo ou tinham posições em outras instituições, brasileiras ou estrangeiras. Isto permitiu a expansão e diversificação das linhas de pesquisa e, consequentemente, de formação de jovens pesquisadores.

Os programas de mestrado e doutorado passaram a ter caráter regular, sendo o IMPA a primeira instituição em Matemática a ter, a partir de 1971, mandato do Conselho Federal de Educação para outorgar os graus de mestre e doutor. Desde então, tem merecido sempre menção máxima junto à Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal (CAPES). O conceito de que goza o IMPA nacional e internacionalmente resulta da qualidade de sua pesquisa científica e de seu papel na formação de novos pesquisadores: mais de 230 doutores e 450 mestres, até o momento.

A partir de 1970, foram criadas novas áreas de atuação, como Geometria Algébrica e Diferencial, Probabilidade e Estatística, Pesquisa Operacional e Economia Matemática. Até então, as atividades estavam concentradas em Sistemas Dinâmicos e Topologia Diferencial. Mais tarde, consolidar-se-iam os campos de Equações Diferenciais Parciais, Dinâmica dos Fluídos e Computação Gráfica.

 

 

A construção da sede própria do IMPA, localizada na Estrada Dona Castorina, 110, no Jardim Botânico, foi iniciada em 1979 e concluída em 1981

Um marco importante na consolidação do IMPA foi a construção de sua sede própria, no Horto Florestal, Jardim Botânico, inaugurada em julho de 1981, com um Simpósio Internacional de Sistemas Dinâmicos, do qual participaram também matemáticos de outras áreas.  O quadro científico foi ampliado e, ao longo de uma década, passou a contar com 32 pesquisadores, todos com doutorado.

Desde a sua criação, o ensino da Matemática no IMPA esteve sempre associado à pesquisa e buscou apoiar as instituições universitárias nacionais, e mais tarde, latino-americanas, para que, elas próprias, atingissem um nível de excelência em suas atividades.

 Tiveram importância fundamental, além dos programas de formação de pesquisadores (mestrado e doutorado), o fomento ao intercâmbio de pesquisadores, inclusive com países estrangeiros, e a realização de reuniões científicas e do Colóquio Brasileiro de Matemática, bem como os Programas de Pós-Doutorado e Pós-Graduação de Verão.

O Pós-Doutorado inclui atividades de longa duração (1 a 2 anos) e de curta duração (1 a 3 meses) – neste último caso, é realizado, geralmente, durante o Pós-Doutorado de Verão. Oferece sempre várias atividades avançadas de pesquisa. O IMPA recebe anualmente uma média de 70 professores para estágios de pós-doutorado. Muitos trabalhos de pesquisa em conjunto têm sido feitos em co-autoria por professores de universidades geograficamente afastadas, graças aos contatos efetivados durante o Programa de Verão. Além desses, mais de 100 estudantes, de graduação e pós-graduação, provenientes de universidades de quase todos os Estados brasileiros, assistem a cursos de matemática dentro do Programa de Pós-Graduação de Verão do Instituto.

Há vários anos o IMPA tem oferecido cursos de reciclagem de professores do Secundário. Tal atividade vem crescendo de importância e está sendo agora incorporada à programação regular. Há mais tempo ainda tem dado amplo apoio à Sociedade Brasileira de Matemática, em particular a seu programa de Olimpíadas de Matemática, tanto em âmbito nacional como em termos da participação do Brasil nas competições internacionais.

Apesar da crise das instituições nacionais nos anos 80 e início dos anos 90, o IMPA encontra-se hoje em plena atividade de pesquisa e formação de pesquisadores, contando com 35 pesquisadores. Como referido acima, as pesquisas atualmente desenvolvidas no IMPA abrangem as áreas de Álgebra e Geometria Algébrica, Análise – Equações Diferenciais Parciais e Dinâmica dos Fluidos, Computação Gráfica, Economia Matemática, Geometria Diferencial, Pesquisa Operacional e Otimização, Probabilidade e Sistemas Dinâmicos. Seus alunos de doutorado são oriundos de mais de uma dezena de países da América Latina e da Europa. Foi designado como Centro de Excelência para o Pós-Doutorado, em nível internacional, pela Third World Academy of Sciences (TWAS). É sede permanente da Sociedade Brasileira de Matemática, criada em 1969, e da União Internacional de Matemática, de 1990 a 1998, o que ocorre pela primeira vez fora dos países da Europa Ocidental e América do Norte.

Outra atividade fundamental que brotou no IMPA a partir das atividades de pesquisa e de formação de recursos humanos foi a publicação de material didático. Diversas séries de publicações do IMPA são utilizadas pelas universidades como referência bibliográfica em seus cursos de pós-graduação, e mesmo de graduação. Isto é particularmente verdadeiro para os livros do Projeto Euclides e da Coleção Matemática Universitária. A existência de uma literatura matemática brasileira, além de facilitar a tarefa de aprendizagem, constitui um estímulo às jovens vocações de pesquisadores. O IMPA lançou também, em colaboração com a Fundação Vitae, uma coleção de livros para professores de matemática do 2º grau, em apoio a seu programa de reciclagem de professores do Secundário.

Os pesquisadores do IMPA têm merecido inúmeros prêmios de âmbito nacional e internacional, como os prêmios Moinho Santista, Nacional de Ciência e Tecnologia Almirante Álvaro Alberto, Interamericano de Ciência Bernardo Houssay, Third World Academy of Sciences e Anísio Teixeira. Muitos deles são membros da Academia Brasileira de Ciências e possuem graus honoríficos de universidades. Por outro lado, mais de noventa por cento deles desfrutam de bolsas de pesquisa do CNPq.

Tudo isto faz com que o IMPA seja considerado hoje o instituto de matemática de maior prestígio na América Latina e de padrão científico semelhante às melhores instituições dos países desenvolvidos. Em 1994, a Comissão do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) que avaliou seus institutos concluiu que “a excelência do IMPA faz dele um modelo do que deve ser um instituto nacional de pesquisa básica e a ele devem ser proporcionadas as condições que lhe permitam preservar esta excelência”.